Ivan Antonio

témoignages


PAULO BETTI

(Ator e diretor de cinema e televisão)

“Ivan Antonio é um visionário com os pés no chão.”

ARTHUR MOREIRA LIMA

(Pianista)

”Já há alguns anos venho acompanhando de longe e de perto o trabalho artístico de Ivan Antonio. Um homem de grande sensibilidade,  um batalhador incansável pela cultura, pelo que é certo. É o tipo de pessoa que  se encontra, infelizmente, raramente, porque tem um denodo além do talento, que  sabe desenvolver, um talento multifacetado.”

SERGINHO GROISMAN

(Apresentador do programa Ação – Altas horas – Rede Globo)

“Uma ONG que dá chance a meninos de rua, ex-infratores, esse é o Teatro da Solidão Solidária”

SÉRGIO MAMBERTI

(Ator)

"Ivan Antônio e seu teatro da solidão solidária, ativista por excelência dos direitos humanos, defensor incansável das culturas tradicionais, militante das lutas pela arte e pela cultura, me fez compartilhar  com a comunidade de Camaçari, de experiências inesquecível em busca de uma cultura de paz e da defesa e promoção da diversidade cultural brasileira. Obrigado amigo Ivan por tudo que você  é e faz."


VANDER LEE

(Cantor e compositor)

"Ivan representa a arte de fazer, de doar. Tem sensibilidade  e decisão. Está e sempre esteve onde a poesia se encontra com o que há de mais palpável,
se veste de lágrima, de rua e solidão
de sertão e muda o mundo
Felicidades. Vida longa!"
Vlee


FÁBIO JR.

(Cantor e Ator)

"Ivanildo Antonio é um dramaturgo e diretor de teatro, que usa a arte como instrumento de libertação. Ele é um artista que faz seu trabalho uma arte maior, a da solidariedade."

ROSI CAMPOS

(Atriz – Rede Globo)

"Um trabalho deslumbrante, um resgate a cidadania através da cultura, através da arte.

Ivan, você está de parabéns, seu trabalho é lindo!"


INGRID GUIMARÃES

(Atriz – Rede Globo)

"Ivan, eu como você, acredito que o teatro é muito mais que um entretenimento, eu acho que o teatro pode ajudar a vida de muita gente. Isso aqui que eu vi agora, um exercício que eu como atriz profissional, poucas vezes vi, uma coisa tão bonita, tão bem feita, tão legal  e tão sentida. Obrigada! Um beijo pra você! Continue assim."

BULE BULE

(Cantor, compositor e escritor)

AS FLORES VÃO SE ACALMAR

“Quem planta flor tem que ter

Cuidado até com o vento

Além de conhecimento

Quando muda for fazer.

Se um dia aparecer

Qualquer uma novidade

A responsabilidade

Cai sobre o floricultor.

Plantei sementes de amor

Nasceu um pé de saudade.”

"Preciso viajar nas estradas que Ivan Antonio semeou, a sua variedade de semente e o vento desordenou a florada, por isso as flores entraram em pé de guerra. Quero colocar um soneto de amor em cada pétala, uma quadra em cada rima das suas flores poéticas e uma trova maternal para cada roseira do seu jardim. Sigo saboreando o conteúdo desde seu maravilhoso livro, entendi companheiro, não são as flores que estão em pé de guerra, é a sua consciência inconformada com as injustiças sociais, com a fome, com a desigualdade. Aqueles poetas tristes do início da sua vida entraram pelos seus olhos, pela sua boca, pela sua mente e moram dentro de você, vivendo com os problemas alheios e mais os seus. Embaraçaram a sua mente e a sua criatividade resolveu mostrar que este mundo injusto não serve para um gênio passar os seus dias procurando paz, namorando a tranquilidade e bebendo taças de amor na mesa do reconhecimento. Deixe tudo que tem pela frente, pois com o Teatro da solidão solidária você construiu um cantinho minúsculo que comporta todos nós. Você, suas flores em pé de guerra, os seus poemas e eu seu amigo das antigas jornadas boas e sofridas ponteadas de decepções, de injustiças, mas enfrentadas com dignidade, assim as flores deixarão o pé de guerra e passarão a exalar o verdadeiro perfume que a natureza oferece e seus leitores precisam.

Bravo companheiro! O mercado literário se sentirá honrado com a sua magnífica obra."


BUKASSA KABENGELE

(Ator e cantor - Bélgica)

"Que trabalho lindo o seu, fiquei emocionado. Que orgulho de ter pessoas como você, que seriedade, humanidade, sensibilidade, genialidade e grandeza"

CARU PESCIOTTO

(Atriz)

A Arte tem o poder de transformar a vida das pessoas. O método criado pelo Ivan coloca isso em pratica e faz da maneira mais humana que eu já vi e senti. Quem participa dessa interação entre artistas e não-artistas que o método propõe nunca mais vê o outro da mesma forma. Percebemos que somos todos iguais. Agradeço muito ao Ivan por ter tido a chance de viver experiências pra minha vida toda. Agradeço aos moradores de rua que convivi por me ensinarem o verdadeiro sentido da vida. Estamos juntos!

Obrigada, obrigada e obrigada!

MEIRE FERNANDES

(Los Angeles)


Ivan thank you so much for showing to me a great possibility throughout your great work! It made a big difference in my whole life as a citizen. Not only woke me up in many aspects, but also brought to my life the sense of love, justice and above all: UNION! Every human being should see your work. Congratulations and wish you a lot of success with your dreams!


ELPÍDIO BASTOS

(Compositor, cantor e diretor musical do OLODUM)

" Ivan Antonio é um artista admirável e de muita raridade no nosso mundo!"

MARIA LUCIA SANTOS PEREIRA

(Coordenadora nacional do movimento de população de rua)


Prezado Ivan, me sinto honrada e previlegiada de conhecer uma pessoa como vc, assim como o seu belissimo trabalho. Continue nesse caminho levando a verdadeira solidariedade como perfume a alegrar nossas vidas. Que Deus lhe abençõe hoje e sempre.

População de Rua de Salvador

BLANCH MANTEL

(Terapeuta)

Jerusalém - Israel

 

Ivan Antonio é um ser que não se limitou com as regras da arte, ele tem um olhar próprio, que faz com que ele apresente infinitas possibilidades para aqueles, que de alguma forma, se limitaram.

Ivan parece ser guiado pelas suas vísceras, fazendo a diferença na vida de muita gente.

Ivan,  continue sendo fiel a sua verdade, podendo criar, sendo guiado pela sua forma única de ser.

Com respeito e amor.


Enter Text

ANTONIO SALGADO

Músico-Filósofo

(Portugal)

"Ivan Antonio é um sonhador que explora o universo com o desejo de transformar sonhos em realidade. Nesse sentido, ele é o Mago da nossa contemporaneidade. Ao habitar os estranhos e solitários caminhos da mais difícil e amarga realidade do nosso quotidiano, onde experiencialmente apreende os mistérios e os segredos da alma humana, ele age em prol da nossa libertação ao conseguir transpô-los para o campo da alquimia artística onde a matéria onírica se apropria da dolorosa realidade de todos os dias para libertá-la em forma de fraternidade humana e solidariedade universal.

Ivan Antonio, que conheci no âmbito do meu percurso cultural e artístico no Brasil, é alguém cuja amizade me torna mais forte e solidário neste longo caminho da libertação da alma humana e da fraternidade universal entre os povos."


IRAMAR DA SILVA AMARAL

Cantor e compositor

Presidente da Victoria Regia Onlus - ONG italiana

Presidente do Art.28 - Comitê Nacional Italiano para os Direitos Humanos

Foi com a determinação de encontrar parceiros no Brasil para desenvolver um projeto de cooperação internacional que em 2002, com minha companheira e sócia Simona Albini, desembarcamos em São Paulo diretamente de Roma. Durante minhas buscas do parceiro ideal me chamou particularmente atenção o nome e a característica de uma ONG - Teatro da Solidão Solidária -. Após um contato telefônico com Ivan Antonio, fomos convidados por ele a assistir um ensaio à 01h00min da manhã nas proximidades da estação metropolitana do Belém.

Quase um desafio. O lugar desolante, pelo horário e pelo tipo de atividade e o endereço era próprio ali, entre um dos grandes armazéns de transportadoras abandonados, ou assim parecia. Exitamos no ingressar dessa enorme porta de aço entre aberta em que não se individuava a numeração e luzes ao seu interno. Como por encanto nos vieram encontro duas gentilíssimas secretarias da produção que nos conduziram dentro. O cenário que se abriu diante dos nossos olhos era impressionante, éramos dentro do Teatro da Solidão Solidária. Indivíduos aparentemente diferentes entre eles, que, se não fosse pela diligência e postura com o qual se moviam naquele espaço intemporal, dificilmente poderíamos chamá-los de atores. Em meio à penumbra e um silencio religioso nos foi indicado Ivan Antonio, iluminado pela única luzinha de todo o ambiente instalada na mesa de direção teatral, da qual dirigia seu elenco, entre caixas de cargas e paredões quase nus desse enorme armazém, em uma noite particular no Belenzinho. Nessa corte dos milagres paulistana ficou explicada aquela não usual circunstância, de fato, aquelas pessoas não eram atores, mas gente comum de variadas origens sociais que aprendiam o sentido da própria existência interpretando a realidade.

Foi uma experiência edificante que nos induziu a conhecer de perto este projeto e o seu idealizador. Percebi então que tinha encontrado o que procurava, uma pessoa devota à emancipação da sua gente, do nosso povo brasileiro. Assim, através deste método respeitoso da ortodoxia teatral, simula a realidade antropológica e social implicando na busca da própria identidade histórica o ator contemporâneo, estimulando-o conduzindo-o a ter confiança em si mesmo e nos próprios meios em perseguir com sabedoria à realização pessoal e social, vivenciada e simulada no próprio papel. Conduzidos com sensível habilidade por parte do diretor desde a idealização à construção do roteiro.

Este processo nos leva ao tema central da Educação, da consciência, aquela da tríplice natureza do Ser Humano – Indivíduo, Sociedade e Meio-Ambiente – e a necessidade de um equilíbrio harmonioso na vida de cada pessoa, entre a realização dos valores de realização pessoal e os valores do bem coletivo. Em outras palavras, não se pode ser uma pessoa completa, feliz e criadora de valor sozinha. Somente percebendo a inter-relação com as outras pessoas, dentro de uma matriz social, e perseguindo uma criação de valor que si determine na realização e na felicidade destas outras vidas, como da própria, é possível a felicidade ou a realização.

Sou feliz pelo percurso que Ivan Antonio tem feito e pelos concretos benefícios que este método levou e leva no âmago das pessoas, que como eu, compartilham esta iniciação.

Sou orgulhoso da sua Amizade e certo que os frutos que plantamos durante nossos encontros desde então já estão dando seus frutos. Agora vamos colher...!!!


ZENEBE ABRAHAM

(Etiópia)

“Ivan Antonio revela o seu desejo de se relacionar com a humanidade, principalmente com os oprimidos. Ele também se mostra capaz de demonstrar o relacionamento e a unidade de um povo, que é a relação entre a arte e o artista”

RUI TEODÓSIO

(Genève - Suiça)

“Os seus versos, distinguem-se, por uma eloqüência inflamada de brilhante realismo, que o poeta pôs ao serviço dos seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

Um verdadeiro poeta do, e para o povo.”

FUNDAÇÃO GOL DE LETRA

Caro Ivan,

Foi um prazer e aprendizado muito grande conhecer o seu grupo, prinicipalmente através dos professores e participantes das oficinas, numa noite de muitas surpresas e emoções. Vi empresários e mendigos, meninos da Febem com filhos empresários, ex-presidiários com policiais, crianças e gente idosa, todos em harmonia. O Teatro da Solidão Solidária cria a possibilidade de as pessoas além de desenvolverem seu potencial artísitco, torna-se uma ponte de solidariedade entre os povos. O núcleo do Teatro da Solidão Solidária, recebe todas as pessoas sem discriminação e isso de suas classes sociais. Lá todos são iguais e por isso essa ONG deve ter o incentivo de todos aqueles que possam contribuir. O trabalho de vocês merece crescer e também ser reconhecido como uma proposta consistente e uma alternativa para humanizar as relações entre pessoas de realidades diferentes.

Parabéns e muita força!

Raí (jogador de futebol)

Fundação Gol de letra

MARCIO CASSONI

(Poeta, astrólogo, ator, expedicionário caminhando pelo Brasil)

Acredito na existência de seres tão simples, tão verdadeiros em suas angústias e medos, e tão inteiros de sua natureza humana, que acabam sendo seres especiais, facilitadores de qualquer dos nossos sonhos e cúmplices de nossas limitações...Conheci esse homem-menino, esse geminiano articulado e culto em sua cultura plural, pós-acadêmica, que me impulsionou meus sonhos e que hoje, por reconhecê-lo em minhas trilhas, se projeta nos olhares dos homens simples que ele me ensinou a explorar com a Alma, com gentileza e justiça!!!

PAULINHO BOCA DE CANTOR

(Novos Baianos)

"Ivanildo é um artista moderno, antenado e múltiplo: escritor, ator, diretor de teatro, compositor. E todas essas artes o levaram a se debruçar sobre o estudo da solidão humana. Por isso mesmo, o Ivan (como é carinhosamente chamado) é uma dessas pessoas que descobriu a verdadeira felicidade. Esse crédito de felicidade verdadeira que só é recebido e conquistado através da solidariedade, da total doação. Quem olha nos seus olhos vê o brilho de quem caminha sempre na direção da ajuda, no sentido da solidariedade. Olhando justamente por aqueles que mais precisam. Quem tem essa virtude, essa atitude, não espera, entra de cabeça, vai com tudo, com total certeza. Anda acompanhado da tenacidade. da perseverança e com a confiança de que conseguirá tudo. Pois como a sabedoria nos ensina: “primeiro o próximo, assim ninguém fica por último”.

Se imagine morando com os mendigos na rua, uma semana, um mês, se passando por um deles. Pois é, o Ivanildo faz isso. Entenderam agora, porque esse tipo de doação que poderia ser mais constante nos dias de hoje, é tão gloriosamente gratificante e torna-se o maior condutor da felicidade verdadeira?.

Imaginemos na loucura do individualismo que estamos vivendo, se a maioria agisse assim, se envolvendo, vivendo na pele essa tenebrosa realidade. Tendo que sobreviver e agir diretamente, no meio de quem mais precisa, convivendo como se a miséria sua também fosse.

Mas não é só o pão que Ivanildo batalha junto com os mais carentes . É pão e arte. Ele batalha muito mais que pão para os desamparados moradores de rua. Colocou todos para fazer teatro, para buscar a dignidade perdida através da arte. Esse é o diferencial do trabalho do Projeto Solidão Solidária criado e desenvolvido por ele. Quem viu e participou do espetáculo A Caminho da Ternura na Cidade do Saber em Camaçari-Ba, pode ver o resultado do que parecia impossível. Pessoas de todas as classes e níveis sociais, atuando como se atores fossem, felizes por conseguirem vencer os obstáculos e se sentindo pessoas realizadas. Esse milagre só se consegue com amor, desprendimento e quem tem o próximo como meta. Quem acredita que o “Caminho da Ternura” é a direção mais certa e segura para acabarmos com essa onda de horror e de violência que  ameaça o planeta.

Sugiro o seguinte: vamos dar nossas mãos a gente como Ivanildo e vamos realmente por em prática o que almejamos: Todos juntos, todos iguais, todos no caminho da ternura, todos construindo a estrada para a Paz.

Já disse a ele: me convoque, me escale e me deixe sempre por perto, quero beber um pouco dessa felicidade também. Conte comigo amigo e Deus com certeza estará sempre contigo.

Seu Brother"

Agosto de 2011


NAZARENO PAULO

(Fundador e Diretor - Los Angeles Brazilian Film Festival)

"Através de um trabalho lúdico, no qual se põe claramente em prática, técnicas de teatro, Ivanildo Antônio nos desperta em sua oficina do método para sentimentos raros de serem expostos na vida cotidiana. Nos situa dentro de um círculo de emoções em que ao se interagir em grupo todos os componentes são levados a participar de um objetivo: a solidariedade.

Na verdade, percebo o método do ator e diretor como um despertar da consciência para o bem da humanidade, ao nos propor uma proximidade com o outro percebemos a distância que nos separa. A partir desta reflexão somos tentados a fazer uma mudança em nossas atitudes diante do ser humano, principalmente, do desconhecido, e desprezado por preconceitos."

MÁRCIA RIBEIRO

(Atriz)

"Conheci Ivan em São Paulo em 1998. Na ocasião ele estava montando e produzindo um texto teatral de sua autoria, “Um Sanatório para Freud”, então conversei com ele sobre a possibilidade de fazer um teste para poder participar do espetáculo. Foi a partir desse momento que passei a ter conhecimento da pesquisa que ele realizava, dormindo algumas vezes por ano com moradores de rua. Em sua história, me chamou atenção o fato dele ter deixado o emprego de gerente em uma importante rede de livrarias de São Paulo e relativa estabilidade, para se dedicar à pesquisa de seu método. Por várias vezes tive a oportunidade de vê-lo nas ruas vestido de mendigo, puxando uma carroça repleta de coisas e papelão. Ficava impressionada com a disposição com que ele vivia esses momentos, agindo, comendo, dormindo, se comportando como se de fato fosse um morador de rua, sentindo literalmente o preconceito e a dor de ser tratado como um excluído.

Na ONG que Ivan presidia, havia horário que eram disponibilizados para que mendigos pudessem tomar banho, comer e ainda participar de oficinas como teatro, músicas, capoeira, etc... O método da Solidão Solidária se fazia presente em todas as formas de relação. Ivan compartilhava suas experiências e ministrava exercícios sobre solidariedade humana em oficinas e espetáculos que realizava. Em “Mil operários em Construção”, peça que participei no   Parque Vila Lobos, via-se uma grande celebração entre intelectuais, meninos da FEBEM, índios da nação Guarani e entre todo e qualquer tipo de pessoa.

Para ele, eram todas dignas de igual atenção. Reflito sempre em algo que dizia. “Nas ruas encontrei extraordinária solidariedade, em meio à grande solidão. Pessoas absolutamente desprovidas eram capazes de se unir e compartilhar o que não tinham”.

Por dois anos fui aluna de Ivan Antonio, e dessa experiência extraí grande aprendizado. Durante esse período vi mendigo deixar as ruas e passar a trabalhar dignamente; exemplo disso foi um rapaz chamado Roney, que dormia nas calçadas da Avenida Paulista e que chegava sujo e faminto no Espaço cultural livre, um Centro cultural que Ivan coordenava que ficava localizado na Rua Pamplona, por ser localizado num bairro nobre da capital o espaço era freqüentado por empresários e filhos de empresários, e esses recebiam esses moradores de rua a princípio com estranheza e distanciamento, mas com a convivência  viravam amigos. Roney sumiu das aulas o encontrei depois e foi grande a minha emoção ao vê-lo trabalhando em um carrinho de cachorro quente, com mãos limpas e uniformizado. Vi pessoas secas e sem esperança passarem a ter amor próprio e pela vida.

Vi um homem que mais do que inteligente, sempre foi motivado em sua luta, vibrando por aquilo que acredita, nunca mediu esforços para dar o seu melhor. Eis aí o grande mérito deste homem!!! Ivanildo Antonio, criador do método da Solidão Solidária."


ANALU FRANCA

(Produtora Cultura)

"O teatro entrou em minha  vida como uma dádiva de Deus e do meu amigo eterno, Ivan Antonio. Sempre fui apaixonada pelo teatro, e admirava os grandes nomes como Marília Pera e Fernanda Montenegro, sem ter a ousadia de imaginar que um dia poderia ter a chance de ser atriz. Mas esse dia aconteceu!

Em um casual encontro com o diretor, dramaturgo e amigo Ivan Antonio, sabendo que ele se dedicava ao Teatro da Solidão Solidária, comentei de minha paixão, acrescentando que em algum momento de minha vida gostaria de fazer teatro. Fiquei muda de espanto quando no início de 2011 recebi uma ligação do amigo me convidando para fazer a audição de uma peça, que ele estaria colocando em cartaz. A princípio quis rejeitar o convite, mas fui incentivada por ele, que me disse que seria uma chance de tentar meu grande sonho de vida.

No dia marcado para a audição, cheguei nervosa e desajeitada, mas com uma esperança na alma de superar minhas dificuldades e tentar aquela oportunidade dada com muito amor. Inicialmente gaguejei, mas logo superei a timidez, e dias depois recebi a tão esperada ligação com a notícia: havia sido selecionada! Chorei de alegria! Quando contei a novidade para minha família, minha filha, Tamima Brasil, foi minha grande incentivadora, dizendo que sempre acreditou que esse momento chegaria, pelas brincadeiras encenadas com ela durante a infância, criando personagens, que já revelavam essa vocação minha para o teatro."


Dra. VERA PALLAMIN

Faculdade de Arquitetura

SOBRE IVANILDO ANTONIO E A PEÇA ‘A CANÇÃO DOS CONDENADOS’.

"Em meio a uma pesquisa sobre Arte Urbana em São Paulo, que eu estava conduzindo nos idos de 1997-1999, surpreendi-me com o Teatro de Rua elaborado por Ivanildo Antonio, na peça ‘A canção dos Condenados’. Escrita e dirigida por ele, esta peça estava sendo encenada numa das principais praças do centro da metrópole, e – o que me chamou muito a atenção - de modo extremamente perspicaz em sua espacialidade: sua montagem cenográfica estruturava-se a partir de uma volume metálico em que metade era opaco e fechado, como um container (com cerca de 5m2),  e a outra metade era uma cela (com cerca de 7m2). Disposta no amplo espaço da praça paulistana, esta estrutura metálica, inusitadamente, ao mesmo tempo em que destoava do lugar, a este se integrava, abrindo uma significativa ambigüidade estética. Mais do que isso, o espaço cênico era, em princípio, apenas aquele da cela: ali apresentavam-se os dois atores – Ivanildo Antonio e Pedro Biaggio. Mas, a partir dos primeiros dizeres e movimentos por eles feitos, este espaço cênico passava a se estender para todo o seu redor, ampliava-se para além dos limites da cela, em direção a todos os lugares onde alguém, na praça, se voltasse para atentar ao que ali estava acontecendo. A cela transformava-se num espaço de irradiação, que era o avesso mesmo do seu significado básico. Com isso, a estrutura metálica como um todo passava a capturar seus arredores, ´teatralizando´ a espacialidade destes.

À potência desta formulação espacial, associava-se, no plano dos gestos e naquele discursivo específico da peça, o trato com um tema eternamente polêmico e difícil, ligado às condições carcerárias no país e à questão da pena de morte - um assunto pouco tratado e constantemente evitado socialmente, a despeito de sua importância e da dimensão (crescente) da população encarcerada. O trabalho teatral, contudo, não se detinha aí, pois os atores permaneciam em cena, no interior da estrutura metálica – alternando entre a cela e o espaço recluso – por dez dias consecutivos. Ficavam ‘em cena’ durante este tempo todo. E, com isso, outra ambigüidade surgia nesta teatralização, já que nós, brasileiros, sabemos todos o que significa para certos grupos sociais ´morar temporariamente´ em praças. Criava-se uma linha basculante entre ‘teatro’ e ‘não teatro’, entre ficção e realidade que percebi ser, para alguns, inexistente, quando Ivanildo me disse, um dia, ter recebido uma serrinha de um dos garotos que então viviam na praça da Sé - um dos lugares onde instalara a cela teatral - para que ele a utilizasse para sair daquela prisão...

Lembro-me do impacto que o conjunto me causara, motivo pelo qual sua inserção na pesquisa se desdobrou em vários momentos: além da caracterizar ‘A canção dos Condenados´, também foi inserida uma entrevista (em vídeo) com Ivanildo Antonio; além disso, uma imagem da Praça do Pátio do Colégio, com a estrutura cênica da cela foi empregada na abertura do CD-rom que acompanhou a publicação desta pesquisa, intitulada ´Arte Urbana: São Paulo / região central: obras de caráter temporário e permanente (1945-1998) (São Paulo, Annablume, 2000).

Dois anos depois, convidei Ivanildo Antonio para acompanhar um debate sobre o tema ‘Cultura e Cidade’ organizado no Instituto Goethe (SP), no sentido de colaborar com as questões levantadas a respeito de um texto que eu ali apresentara, intitulado ´Arte urbana como prática crítica´, em que alguns aspectos do teatro por ele realizado estavam em pauta.

Julgo relevante apontar no trabalho de Ivanildo Antonio que acompanhei mais de perto, o que entendo ser a realização de uma obra como resultante do seu entendimento de problemas que se impõem socialmente, instigando-lhe a uma tomada de posição política, efetivada pela via da mediação estética, o teatro. Há aí uma dupla relação: entre a peça teatral e a cidade, e entre a peça e a sociedade, em que ele enfrenta as peculiaridades de ambas, simultaneamente. No projeto original de Ivanildo Antonio, constava a sua apresentação também em escolas, faculdades e espaços afins, destacando sua preocupação em fomentar, inclusive no plano educacional, um debate mais amplo sobre as questões tratadas em ‘A canção dos Condenados’. Seu teatro falava de certa linhagem do andamento social, mostrando tensões e contradições da realidade social que passavam a ser artisticamente transfiguradas, fazendo deste um lugar para se refletir sobre a vida, as instituições, a justiça e a liberdade. Era esta a amplitude posta em cena, naquele momento, por Ivanildo Antonio nos espaços públicos de São Paulo, num trabalho que me parece ser parte inquestionável da memória da arte urbana desta cidade.'


JOSÉ LEITÃO

(Director do Teatro Art’Imagem)

Teatro Solidário de Ivan contra a Solidão

Em 17 de Maio de 2006 noticiava o “Público” – um dos mais prestigiados diários de Portugal, “Sem-abrigo sobem ao palco no encerramento do Fazer a Festa”. Na foto que acompanha o artigo vê-se em primeiro plano IVAN ANTÓNIO seguido pelo restante elenco de “A Ópera dos Canibais” que no dia 15, um sábado à noite, um grupo de teatro se São Paulo, Brasil, vocacionado para a integração de excluídos na sociedade, apresentava no conhecido festival de teatro portuense.

A notícia, assinada por Raquel Ribeiro, destaca a presença na plateia de três semabrigos da cidade Invicta – a Paula, o Fernando e o Rui, numa das tendas dos jardins do Palácio de Cristal para ver teatro, convidados pelo Ivan, autor e encenador da peça em cena e que nas duas noites anteriores os conhecera, quando passou essas noites, convivendo e dormindo junto dos sem-abrigo da cidade do Porto, numa experiência prática que este encenador e autor teatral brasileiro utiliza para os integrar socialmente em actividades artísticas, utilizando um método por ele mesmo criado, a que deu o nome de Teatro de Solidão Solidária.

Pode-se dizer que, nessa noite, o Fazer a Festa – Festival Internacional de Teatro – um dos mais antigos dos Festivais de Teatro de Portugal, então na sua vigésima terceira edição, foi diferente. No palco, os actores faziam de conta que eram mendigos, embora toda a gente soubesse que eram actores e na plateia os sem-abrigo faziam de conta que eram espectadores, embora toda gente visse que eram mendigos. O Teatro e a Realidade misturamse como é obra da Arte de Talma e, não sei bem definir onde estava a Arte e a Vida nessa noite. Era o real encarnado pelos actores em palco que fingiam que eram mendigos? Ou o teatro protagonizado pelos sem-abrigo que na plateia fingiam que eram espectadores? Houve festa, abraços, troca de presentes, lágrimas furtivas e promessas que mais tarde se não concretizaram. Confretanização, solidariedade, como se fosse uma noite de Natal, das do conceito e não das da realidade.

O Rui, de 34 anos de idade, dizia estar feliz e que era a primeira vez na vida que via teatro, ao contrario dos outros seus dois amigos que não só já tinham visto como o tinham feito. Tiveram saudades e prometeram aparecer no Art’Imagem para, quem sabe, voltarem a pisar o palco.

A experiência de Ivan António no Porto, as duas noites que passou com os semabrigo da cidade, o Teatro de Solidão Solidária, a peça que apresentou no Festival e outros acontecimentos relacionados, estão muito bem retractados numa reportagem de página inteira que a jornalista de o “Público” Ana Cristina Pereira rubricou na edição daquele diário de 23 de Maio de 2004, com o Título de “O Teatro ou uma Arma de Combate à Solidão”.

Conhecera Ivan um ano antes em São Paulo numa digressão do Teatro Art’Imagem ao Brasil.Tivemos oportunidade de conhecer também muitos outros elementos que trabalhavam consigo no Teatro. Numa tarde chuvosa encontrámo-nos todos num velho teatro com o nome de um grande dramaturgo brasileiro, Dias Gomes. Nós contamos de nós, eles deram-nos a conhecer as suas histórias, das suas profissões e dos espectáculos de teatro que iam fazendo, sob a batuta de Ivan, empenho e entusiasmo de todos. Alguns deles dormiram ao relento durante muitas noites, foram mendigos, excluídos, sem-abrigo, muitos chamados de bandidos, um nome muito utilizado no Brasil e que mete tudo no mesmo saco, por quem tinha o direito de não o fazer, agora tinham encontrado um novo rumo, faziam juntos teatro e queriam trazer outros para com eles partilharem da mesma mudança. Tinham adquirido a sua auto-estima, o Teatro de Solidão Solidária, tinhas-lhe aberto outras portas por onde agora podiam passar. A arte ao serviço do Homem, a arte é dos Homens!

Nessa tarde combina-mos que viriam a Portugal mostrar o seu Teatro. Ivan promete encontrar-se com os sem-abrigo nas ruas do Porto e trazê-los para ver o seu teatro. Assim se cumpriu um ano depois.

Durante muito tempo, depois do Fazer a Festa cruzei-me variadas vezes com a Paula, o Fernando e o Rui, nas traseiras da Câmara Municipal do Porto, no largo frente à Igreja da Trindade. Ora estavam a apanhar sol num banco junto ao pequeno lago do chafariz, ora brincando com as pombas, bebendo um gole ou falando alto num magote de amigos. Diziamos “Olá”, um pouco de conversa, muitas vezes de circunstância. Pedia-lhes que nos visitassem, o teatro ficava poucos metros a cima. Prometiam fazê-lo. “Amanhã”, diziam. O tempo foi passando e nunca vieram. Ou se vieram não encontraram ninguém, à muito que os deixei de ver...

Quanto ao Ivan continuamos em contacto, embora já há mais de dois anos que não nos encontremos pessoalmente. Concretizamos já outros projectos e outros mais queremos desenvolver. Ele continua com o seu Teatro de Solidão Solidária e eu no Teatro Art’Imagem, procurando na Arte e Ofício caminhos contra a solidão, perguntar o mundo e solidário com os que procuram ou encontram na arte um modo diferente de estar na vida.

Uma vida melhor?