Ivan Antonio

A camino da ternura

Camaçari Notícias – Depois do grande sucesso na Cidade do Saber, o espetáculo vai ser apresentado em Arembepe e depois dessas apresentações o projeto chega ao fim?

 

 

Ivanildo Antonio – Não.  O espetáculo foi apenas uma mostra do que poderíamos construir juntos. Iniciaremos uma nova fase que talvez seja a mais importante do projeto. O caminho foi segmentado através das oficinas em 48 comunidades. Depois juntamos todos os alunos para montarmos o espetáculo. Agora, com as novas apresentações cada comunidade voltará a se reunir e a partir daí traçar a sua própria política cultural.

CN – Como assim?

 

 

Ivanildo Antonio – Cada comunidade irá criar mecanismos para ampliar-se de modo que possa agregar o maior número de pessoas possível e de todos os segmentos sociais em seu próprio bairro. Isso quer dizer que esses  jovens que estão participando do projeto irão buscar novos parceiros.

CN – E quem seriam esses novos parceiros?

 

 

Ivanildo Antonio – Além de outros jovens, o dono do açougue, o dono do supermercado, a dona de casa, a professora do seu bairro e juntos vão mapear os valores culturais da sua comunidade. Quais são os seus artistas, poetas, cantores, artesãos, bailarinos e o que podem fazer juntos, que tipos de parcerias, como podem fazer para criar uma biblioteca comunitária no seu bairro, por exemplo. Assim definiriam juntos quais são os livros que os moradores desse bairro gostariam de ler, sendo assim os livros que não tiverem na sua própria biblioteca comunitária, a prefeitura compra como acervo para a Biblioteca Municipal e essa biblioteca se tornará uma grande central. Todo mundo terá acesso fácil aos livros porque além das bibliotecas comunitárias em cada bairro, teremos o acervo das bibliotecas das escolas. Outras ações que podemos dar como exemplo, seria: Os grupos formados poderiam inteceder junto a sua comunidade para mapear quais as atrações eles gostariam de ver se apresentando, na Semana de Cultura, no Camafolia, Camaforró, nas lavagens, nos eventos realizados pela prefeitura nos bairros e qual contrapartida os artistas poderiam deixar para a comunidade, já que ela os indicou para se apresentar recebendo cachês da prefeitura. Será que poderiam se apresentar como voluntários para arrecadar fundos para associação dos moradores? Como os comerciantes locais podem ser parceiros desses artistas também?  São algumas idéias, mas com certeza a comunidade criará coisas incríveis para o seu próprio desenvolvimento e logicamente tendo o governo municipal como parceiro.

Ivanildo Antonio dirige Sérgio Mambert e Paulo Betti

 

CN – Podemos dizer que hoje existe um divisor de águas: Camaçari antes e  Camaçari depois do projeto A CAMINHO DA TERNURA?

 

 

Ivanildo Antonio – Eu diria que Camaçari hoje tem um projeto de cultura que move a cidade por inteiro, muda as estruturas de base dando uma nova engrenagem fazendo com que os novos aprendizes da arte e da cultura, que somos todos nós, tenham consciência do fazer artístico é muito mais que o show business, está na conscientização, cultura é tudo e tem que ser para todos, ela transcende o palco, a sapatilha, os holofotes, ou o autógrafo que um fã irá nos pedir quando a nossa imagem parecer maior ou mais importante do que realmente somos, já que somos todos iguais. É um projeto de curto, médio e longo prazo e tenho certeza da colheita de bons frutos.

CN – Quando você fala que o projeto muda as estruturas de base, a que mudanças se refere?

 

 

Ivanildo Antonio – De muitas, mas principalmente que a arte é para quem tem vocação ou para quem tem talento, isso é um mito criado pra nos afastar daquilo que  pode nos salvar, daquilo que pode nos impulsionar a buscar mais conhecimentos, através da educação por exemplo, que é uma ferramenta  imprescindível no mundo contemporâneo, mas que  não pode  sobrepor a cultura, porque educação sem cultura vira apenas elemento de competitividade voraz.

CN – Então, Educação tem que andar lado a lado com a Cultura?

 

 

Ivanildo Antonio – Sem dúvida! Se não andarem de mãos dadas, haverá ferrugem nas engrenagens do mundo moderno. Atualmente ao concluirmos uma graduação, e não fizermos uma pós-graduação, sentiremos que não houve sentido nenhum o tempo que passamos estudando. E ao concluirmos a pós, nos depararemos com uma imagem no nosso subconsciente: Mestrado à vista. E quando menos nos damos conta que já somos mestres, nada disso adiantou porque o mercado já nos cobra com urgência o nosso doutorado, pós-doutorado e assim por diante. Não estou dizendo com isso que não devemos investir na nossa formação pelo viés da educação tradicional, se assim posso dizer, mas a arte e a cultura é importante para que desde cedo não nos alimentemos da arrogância de que somos mais importantes porque sabemos mais.

CN – E como você acha que o projeto contribui para a mudança desses paradigmas?

 

 

Ivanildo Antonio – Quando misturamos todo mundo, segmentos diversos da comunidade, pescadores, índios, operários, professores, estudantes, policiais, crianças com idosos, empresários com homens e mulheres em situação de rua, cada um ensinando o que sabe, partilhando saberes e construindo junto um só projeto, a convivência diária faz com que percebamos que todos somos importantes.


O ator Paulo Betti em cena

 

 

 

CN – E o que te faz crer que essa mistura pode dar certo?

 

 

Ivanildo Antonio  - Durante aproximadamente um ano e meio, aproximamos as comunidades com um objetivo aparente, que era montar um espetáculo com mil artistas formados através das dezenas de oficinas espalhadas em 48 comunidades. Isso era apenas o objetivo aparente. Algo maior era disseminado nessas oficinas, sobretudo para as crianças e para os jovens. A possibilidade de juntos construirmos uma ponte entre um e o outro e através dessa ponte, construída em parceria, quem viesse atrás pudesse  passar com segurança, mas com uma condição: Ao passar, deitar-se no chão e tornar-se mais um tijolo para que a ponte a cada dia pudesse se tornar maior. E de que matéria está sendo solidificada essa construção? Das matérias mais simples do mundo: O perdão, a partilha e acima de tudo a solidariedade humana, como um pode ajudar o outro.

CN – E como um pode ajudar o outro, já que estamos num mundo de tanta competição?

 

 

Ivanildo Antonio – Estar juntos já é uma anunciação, é uma celebração humana, um sinal que estamos nos dispondo para a solidariedade. Mesmo que uns não percebam isso, alguns são atraídos pelo fazer artístico. Mas o fazer artístico, que é participar de uma oficina para montarmos um espetáculo, não seria suficiente para mover uma pessoa a conviver mesmo que seja por um tempo com pessoas tão diferentes.


Os índios Tupinambás emocionam a platéia que lotou as arquibancadas da Cidade do Saber

 

 

 

CN – E depois de juntas, como uma pode ajudar a outra?

 

 

Ivanildo Antonio – Quando uma faz com que a outra pense: Eu não estou só! Muitas pessoas se aproximam do projeto. Não para ser artistas, mas para estar próximas umas das outras. Quando um empresário nas oficinas de teatro vivencia horas e horas de ensaios com uma turma e na sua turma um dos participantes é um homem em situação de rua, por exemplo, no outro dia quando ele o encontra na rua já não o trata como um mendigo. E com a convivência, quando esse empresário estiver precisando de algum operário para contratar, certamente irá lembrar desse seu novo amigo e irá lembrar com certeza que aquele seu companheiro de espetáculo, se alguém não lhe der uma chance, ao terminar o espetáculo, ele continuará a dormir debaixo das pontes e a mendigar um prato de comida por aí.

CN – É um projeto de caridade também?

 

Ivanildo Antonio – Em absoluto! É um projeto de partilha, de parceria, muitos empresários gastam tanto dinheiro com empresas de consultoria, para que os ensine como sair de uma crise. Muitos empresários entram em desespero quando tem crises financeiras, principalmente falência, alguns pensam em suicídio. Já teve casos na nossa própria cidade de empresário que suicidaram porque faliram.

Quando estamos juntos nos ensaios, vemos verdadeiras lições de vida dessas pessoas que às vezes vivem num verdadeiro estado de miséria e o pouco que consegue ganhar, repartem ou sobrevivem, mas sempre com um olhar no futuro, com um olhar de esperança de dias melhores, humildes trabalhadores que consegue fazer economia com o pouco que ganham. E quando menos você espera, ele já tem a sua casinha, mobiliou a sua casa, do terreno já bateu laje, fez outra casinha e já alugou para aumentar a sua renda. Essas lições de vida estão lá, a disposição de quem tem humildade de tirar o paletó e a gravata, ouvir e aprender com moradores de rua, que passaram parte da vida como dependentes químicos e se superaram. São exemplos de consultores, ou não?

CN – E qual a importância da participação da polícia militar no projeto A caminho da ternura?

 

 

Ivanildo Antonio – Quando criei o TEATRO DA SOLIDÃO SOLIDÁRIA, que é o método que fundamenta o projeto e, insisto em dizer, é um método ainda em construção porque todos os dias estou aprendendo novas coisas com aqueles que humildemente tento ensinar nas minhas oficinas de teatro, um dos segmentos que me aproximei logo após a minha pesquisa com população de rua, foi o da polícia militar. Conheci homens e mulheres incríveis, tive alguns amigos que já não estão entre nós, alguns morreram em conflitos outros morreram de solidão, um homem não morre de solidão apenas quando deixar de existir, mas morre quando perde esperança no mundo. Ao contrário do que possa aparentar, muitos desses homens e dessas mulheres sonhavam e sonham com um país mais justo, mais fraterno e sem violência. A mídia talvez devesse ter um olhar mais solidário sobre esses cidadãos, porque divulgam mais o policial corrupto, o policial violento. Toda vez que um policial salva uma vida, era porque era a sua obrigação, e isso é verdade, mas todos nós quando fazemos alguma coisa de bom, gostamos de ser elogiados, reconhecidos por isso, os políticos ganham placas, autoridades são condecorados, artistas ganham aplausos, atletas os seus troféus.  Perdemos muitos policiais vítimas de suicídio. Convidamos um policial para tudo, quando alguém nos assalta, quando sofremos qualquer tipo de violência, quando tem uma mulher grávida e está prestes a dar a luz na rua, mas não convidamos um policial pra um batizado de nosso filho, para um natal em nossa casa ou uma festa de reveillon… Um homem só, é um homem só.


Elenco do TAC festeja O sucesso do espetáculo ao lado de Sérgio Mamberti

CN – Esse é um olhar poético sobre o mundo?

 

 

Ivanildo Antonio – É um olhar de quem tem crença no mundo, de quem acredita no ser humano. Trabalhei na FEBEM (Fundação do Bem Estar do Menor) em São Paulo durante alguns anos. Havia adolescentes que nunca tinham chorado, nem quando eram espancados, mas que conseguiam se emocionar nas aulas de teatro. Choraram quando na minha última aula eu disse que tinha que vir para Bahia e que não podia mais ensinar para eles. Alguns desses meninos eram considerados verdadeiros bichos para sociedade, mas  choravam naquele momento, porque alguém lhes disse algum dia: EU TE AMO MEU AMIGO.

Voltando a polícia, se temos que ter um olhar de ternura por esses jovens que hoje estão trancafiados nas Febens da vida, como entender um e não entender o outro? Entender não quer dizer concordar com a violência que um ou outro ou qualquer um de nós de qualquer segmento da sociedade possa cometer, mas tentar interferir de forma que não cometamos um ato mais violento. O de julgar, apenas.  A violência policial não é uma violência automática é uma violência programada estrategicamente que vem desde a chegada dos saqueadores europeus no Brasil. É uma violência política. Em determinado momento a polícia é mais vítima de que algoz. Foi inclusive usada por muitos dos políticos que colocamos no poder ao longo de tantos séculos. Se tivermos essa consciência, podemos nos dar às mãos e tentar seguir em frente.

Em Camaçari a parceria da Secretaria de Cultura com a Polícia militar tem sido extraordinária. Temos no comandante Coronel Castro um grande exemplo de solidária e sólida parceria.

CN – De onde vem essa crença no ser humano, na possibilidade de vivermos em harmonia?

 

 

Ivanildo Antonio – Vem da crença que estamos atravessando um ciclo e de que o universo não é apenas aquilo que vemos à olho nu. Vivemos uma duradoura luta de classes e não podemos perder isso de vista, mas em todas as classes existem seres humanos preocupados com outros seres humanos, e uma nova mentalidade, se aproxima e vem com tanta força, fazendo com que todo pensamento arcaico de arrogância, de prepotência seja banido. Isso não é credo religioso, é crença em Deus, na vida, no universo, nos homens, nos animais, nas plantas… nos seres…

CN – E Ivanildo Antonio…o artista?

Ivanildo Antonio – Continuo escrevendo, compondo. Fui convidado por uma companhia de teatro de Portugal para escrever e dirigir um espetáculo sobre a poetisa portuguesa Florbella Spanca. Tenho ocupado minhas madrugadas nesse texto e no ano que vem devo tirar um mês de férias, já que estou há três anos sem férias, para me dedicar a essa montagem. Mas paralelo a isso, estou também escrevendo um roteiro de um filme.

CN – Pode nos adiantar sobre o que é o filme?

 

 

Ivanildo Antonio – Vou falar e o jornal Camaçari Notícias, pode publicar em primeira mão. Isso é crença na mídia local (risos). Penso em fazer um filme contando a história de Camaçari, articulada com o projeto A Caminho da Ternura. Daria um filme belíssimo. Cada vez que escrevo um cena me emociono muito. Um filme contando a história da nossa cidade, assim como foi o espetáculo, desde a chegada dos portugueses (Jesuítas) em Abrantes, o extermínio de nações indígenas inteiras, a chegada dos navios negreiros e o martírio desses nossos antepassados pelos mares bravios vindo da África. A aldeia hippie de Arembepe permeada pelos costumes dos nativos, os artistas que lá estiveram, a contracultura, a implantação do pólo petroquímico. Imagine que cenas maravilhosas?  Quantos retirantes nordestinos chegaram aqui na década de setenta? Contar as suas histórias, suas esperanças e desilusões. Quando contarmos a história da nossa cidade estaremos contando a história do Brasil. Camaçari era área de segurança nacional, portanto local de duríssima ditadura militar, e por aí vai. Não vou adiantar mais, porque ainda estou roteirizando e quero que todos assistam.


Ivanildo Antonio agradece ao prefeito Luiz Carlos Caetano pelo apoio ao projeto

 

 

CN – Você fala com muita certeza desse seu novo projeto…

 

 

Ivanildo Antonio – Falo! Assim como eu falava no início do projeto A caminho da ternura, quando solicitei ao prefeito Luiz Caetano, permissão para contratar alguns professores porque eu iria iniciar um projeto revolucionário na área da cultura para Camaçari, muitos desconfiaram, muitos não acreditaram. Não fosse a confiança do prefeito Luiz Carlos Caetano na minha luta e na fé inabalável da minha equipe de trabalho, eu jamais teria conseguido realizar esse projeto sozinho. Tenho uma equipe de trabalho a quem sou eternamente grato pela sua confiança e pela sua generosidade de ter acreditado nesse projeto. Como tínhamos uma equipe muito pequena, tivemos que trabalhar de domingo a domingo durante todo o tempo. Lembro de uma vez em Cordoaria, estava chovendo e o carro não subia, quem conhece lá sabe que é morro. A equipe toda empurrando o carro, porque sabia que aquela comunidade estava nos esperando. Tivemos muitas dificuldades.

Também sou grato a cada aluno que acreditou no sonho e a cada voluntário que apareceu quando mais precisávamos…

CN – Mesmo com tantas dificuldades para fazer o espetáculo, você parte para algo mais difícil que é fazer um filme, você não teme ter mais dificuldades com um projeto tão grandioso?

 

 

Ivanildo Antonio – Não! Por que assim como o espetáculo, a iniciativa é minha, mas o projeto não é meu, é da cidade. É de todos aqueles que acreditarem nele. O espetáculo deu certo porque além de ter sido realizado para comunidade, foi feito com ela. A comunidade tomando conta, se apropriando do projeto, sonhando e construindo juntos.

O filme certamente será construído do mesmo jeito. A comunidade já sabe que quando se sonha juntos o sonho vira realidade. Penso numa trilha sonora executada por nossos artistas, A Filarmônica, a Bamuca, nossas bandas de Rock e de Reggae nas cenas de Arembepe. Imagine nossos trios de forró pé-de-serra nas cenas dos retirantes. Cantores populares entoando a dor, a distância e a saudade de tanta gente sofrida que chegou a nossa Camaçari para construir o pólo. Grupos de hip-hop, de capoeiras, as cheganças, samba de roda, aliás, nosso samba de roda foi tombado pela Unesco como patrimônio da humanidade. Veja como nossa história transcende a história da própria cidade e percorrerá o mundo? Em que cidade do mundo, haverá um elenco de pessoas tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo, que enquanto estiver contando uma história estará construindo uma nova história…

CN – E como será formado esse elenco?

 

 

Ivanildo Antonio – Também formados através de oficinas só que dessa vez, oficinas de vídeo e cinema. Já estamos conseguindo alguns parceiros para fazer um projeto chamado “pólo de imagens”. Quem sabe a gente transforma Camaçari num grande pólo de cinema do nordeste? Se vamos sonhar, só vale se o sonho for grande.

CN – Serão convidados artistas  renomados?

 

 

Ivanildo Antonio – Além de artistas de Camaçari é de suma importância convidar artistas com mídia nacional, porque eles dão visibilidade ao projeto, atraem investidores e sem sombra de dúvida ajudam a valorizar os nossos artistas. O espetáculo foi um grande exemplo disso. Grandes artistas de Camaçari, como Humberto Magno, Dilza de Jesus e outros, O jovem elenco do TAC contracenando com Sérgio Mamberti. os bailarinos do Corpo de Baile da coreógrafa Vânia Costa na mesma cena com Paulo Betti. Músicos camaçarienses no mesmo palco dos Novos Baianos. Os capoeiristas do grupo Cultural Abolição de Arembepe  interagindo com o grupo Engenho de Abrantes, veja que fantástico!

Um grande elenco de Camaçari contracenando com estrelas da televisão e do cinema brasileiro….

CN – Como você se sentiu dirigindo atores com Paulo Betti e Sérgio Mamberti

 

 

Ivanildo Antonio – Já trabalhei ao lado de outros grandes artistas, como Rosi Campos, Bule-Bule, Zeca Baleiro, Rubens de Falco e Tônia Carrero (novela – Sangue do meu sangue), Luiz Carlos Vasconcelos (filme Carandiru) e o próprio Paulo Betti em outras produções. Também fui entrevistado por grandes nomes da televisão brasileira como Serginho Groisman e Luciano Huck, mas esse trabalho foi muito mais especial. Eu estava em minha terra, mostrando para jovens diretores de Camaçari que aquele artista do Phoc, que um dia ousou sonhar em ser um grande artista, conseguiu realizar seu sonho, que antes parecia tão distantes agora pode conseguir. Vi os olhos emocionados da professora e diretora de teatro Cilene Guedes. Contive-me pra não chorar naquele momento porque estava dirigindo, mas com certeza ela percebia que estava lhe agradecendo e agradecendo a Alberto Martins, por ter me acolhido no TAC quando cheguei em Camaçari. Ver o prefeito Luiz Carlos Caetano aplaudindo emocionado na platéia e ver na platéia  mais de quatro mil pessoas aplaudindo efusivamente. Senti uma sensação que nunca tinha sentido antes. Dever comprido… e CUMPRIDO!

CN – Para terminar, deixe uma mensagem pra Camaçari.

 

Ivanildo Antonio – Gratidão! Gratidão e gratidão. Gratidão a minha equipe, desde os meus assessores mais diretos e professores, aos meus mais humildes funcionários. Dona Maria que faz um café quentinho e que ora por mim nas horas que me falta força. A Dona Carminha e a toda equipe da cozinha do espetáculo. A Bananinha (nosso palhaço) que me fazia ri nas horas em que não achava motivos para isso. Aos boys e agentes jovens. A todos os alunos, aos pais desses alunos, pois muitas vezes tínhamos que ensaiar domingos e feriados. Aos meus queridos irmãos Tupinambás. A todos os grupos que participaram como grandes parceiros no projeto. Aos colegas secretários, A Cidade do Saber, Sol embalagens, Sansuy, a Polícia Militar, a imprensa local, a todos voluntários, e por fim, um agradecimento especial ao amigo e  prefeito Luiz Carlos Caetano, por acreditar nas pessoas simples da sua terra. Terra hoje adubada pelas mãos calejadas de tantos que sonharam ter uma oportunidade para trabalhar por ela.

 

Ivanildo Antonio diz que o espetáculo A Caminho da Ternura pode virar filme

Camaçari Notícias
Karina Burigo

I

Ivanildo Antonio, poeta, compositor diretor de teatro, criador do Teatro da Solidão solidária e Secretário Municipal de Cultura de Camaçari, concede entrevista ao jornal Camaçari Notícias, fala do grande sucesso do projeto A CAMINHO DA TERNURA, projetos futuros, seus sonhos, sua luta como ativista pelos direitos humanos, e anuncia: O caminho da ternura, pode virar filme. Confira:

voltar para a página artes cênicas